Financiamento Sustentável em Portugal: Para Além dos Buzzwords ESG

O financiamento sustentável está a ganhar relevância estratégica para as empresas portuguesas, influenciando cada vez mais o acesso a capital, o custo do financiamento e a relação com investidores e instituições financeiras.

No entanto, grande parte do debate continua dominado por terminologia ESG, quando a verdadeira questão que muitos executivos começam a colocar é muito mais prática: poderá o financiamento sustentável melhorar o acesso da nossa empresa a capital, reforçar a sua credibilidade e criar vantagens de financiamento que façam sentido do ponto de vista estratégico?

O Mito das Grandes Empresas e a Realidade do Mercado

Para muitas empresas portuguesas, o financiamento sustentável continua a parecer algo pensado sobretudo para grandes empresas cotadas, grupos multinacionais ou organizações com estruturas ESG altamente sofisticadas. Na realidade, o mercado está a tornar-se mais abrangente, mais flexível e cada vez mais acessível do que muitos assumem.

No essencial, financiamento sustentável continua a ser financiamento.

As empresas continuam a necessitar de financiamento para investimento, crescimento, expansão, fundo de maneio e necessidades operacionais. A diferença é que o financiamento sustentável introduz uma camada adicional: ligar estruturas de financiamento a objetivos de sustentabilidade ou metas de desempenho previamente definidas.

Em teoria, isto parece relativamente simples. Na prática, porém, é aqui que muitas empresas começam a enfrentar dificuldades.

Não porque as estruturas de financiamento sejam necessariamente complicadas, mas porque as empresas subestimam frequentemente as decisões estratégicas necessárias por detrás delas.

Uma das maiores perceções erradas em torno do financiamento sustentável é a de que os próprios produtos são altamente únicos ou personalizados. Na realidade, grande parte do ecossistema de financiamento é relativamente normalizado.

As operações de financiamento tradicionais já funcionam dentro de enquadramentos, estruturas contratuais e práticas de mercado reconhecidas. Bancos, investidores, assessores jurídicos, agências de rating e outros participantes do mercado financeiro operam com processos estabelecidos e padrões documentais relativamente padronizados.

O financiamento sustentável segue a mesma lógica.

No mercado obrigacionista, por exemplo, as emissões seguem normalmente orientações internacionais reconhecidas, como os Green Bond Principles (GBP) e os Sustainability-Linked Bond Principles (SLBP), desenvolvidos pela International Capital Market Association. Os empréstimos sustainability-linked seguem princípios e abordagens equivalentes.

As próprias estruturas de financiamento não são, normalmente, o verdadeiro desafio.

O desafio está em compreender o que faz sentido para cada empresa. O que difere – e o que acaba por determinar se uma estrutura de financiamento sustentável é credível e viável – são as …

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